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sábado, 29 de março de 2014

Educação e uso dos blogs: quando aprender torna-se uma via de mão dupla

O brasileiro que já passou dos trinta anos de idade dificilmente tem uma visão positiva das ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras, o MST.  Isso porque, durante sua infância e juventude, o acesso dessa pessoa à informação restringia-se à imprensa e a duas redes de TVs, Globo e SBT e ao livro didático na escola.
Por se tratarem de emissoras avessas à filosofia do movimento de trabalhadores rurais, seus telejornais, quase que diariamente, noticiavam invasões e saques de membros do movimento, além dos conflitos constantes com a polícia.
A imprensa, comandada por grupo com forte influência (e financiamento) dos governos, só trazia matérias que ratificavam o exibido em cadeia nacional.
O livro didático, em geral editado por grandes companhias nacionais (hoje, inclusive multinacionais), quando citava, defendia igual status quo.
E o professor, espectador da TV, leitor do jornal e que preparava suas aulas sob a ótica dos tais livros, terminava por ser um mero reprodutor dessas informações.
           
            Um aluno do século XXI vive uma realidade diversa de quem freqüentou a escola em meados do século passado. Muito embora acesse sites que pertencem a grandes conglomerados midiáticos, a informação hoje é muito mais democrática, ou pelo menos, diversificada.
Uma procura simples no maior site de busca que existe, aponta “aproximadamente 938.000 resultados (em 0,36 segundos)” (Google), quando digitado o termo Movimento dos Sem Terras. 
           Destarte, a escola vive um momento bastante promissor no que se refere ao acesso e difusão da informação. O advento da internet, disponibilizada em escala comercial no mundo a partir de 1991, impingiu novas relações em toas as atividades humanas, do comércio ao lazer, do sexo ao tratamento da informação.
          Suas principais características são a interatividade e o fatos das postagens serem organizadas de forma cronológica, o que permite uma sequenciação de pensamentos do autor (ou autores), bem como dos próprios usuários que, em geral, também “postam” opiniões acerca do que foi escrito.
         Por se tratar de uma ferramenta em que, tanto os assuntos inseridos, quanto as opiniões de todos que acessem, seja livre, os blogs se constituem numa das ais democráticas formas de expansão do processo informativo, por não estar atrelado, necessariamente,a nenhum veículo ou empresa.

        A escola, aprisionada por séculos em estrutura de ensino verticalizada, expositiva, que centraliza nos sistemas de ensino (governos, secretaria de educação etc) e nos gestores todos os ditames da prática pedagógica, vê nessa estrutura uma oportunidade de, enfim, ampliar o debate em torno de todas as questões que envolvem o aluno e sua aprendizagem. Como defendeu FREIRE (1996, p. 46), “é a autoridade do não eu, o do tu, que me faz assumir a radicalidade do meu eu”.
       Muito embora a utilização de blogs, e outras ferramentas da WWW, se faça como recursos pedagógicos simplesmente, ou seja, de forma ainda passiva, reprodutora e com baixo grau de criticidade, há uma consciência crescente de que tais elementos da internet devem ser usados como estratégia pedagógica, em que o discente se coloque ativamente, e o professor seja receptivo a tais incursões.
       A grande evolução no tratamento da informação nesse começo de século é que, pela primeira vez na História humana, a fonte e o receptor estabelecem relações de poder paritárias, pelo menos no que se refere às possibilidades comunicativas.
        Pode-se sonhar, com isso, com o dia em que alunos não serão educados sob a égide do pensamento imposto; mas que a informação enfim, possa transformar-se em conhecimento, por meio da construção argumentos e opiniões.
       Sem que um movimento social, por exemplo, pareça sempre como vilão, quando na verdade, tenha contribuído com a sociedade, inclusive para que pareça mais transparente.

Referência Bibliográfica
Google. Disponível em https://www.google.com.br/. Acesso em 27/mar/2014

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra. 1996


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